The end is the beginning

O blog Velho do Farol está encerrando suas atividades hoje, mas continuarei escrevendo em meu novo blog, o Vida Offline.

(os posts antigos, obviamente, continuarão no ar)

Sem computador próprio e enfrentando péssimas conexões de internet fora de casa, fico afastado daquela atividade rotineira de passar o dia lendo e escrevendo na net.

É um bom momento para encerrar um ciclo e apostar mais em assuntos da vida “real”, dos quais possa falar mais intimamente e com mais conhecimento de causa, em vez de ficar no disse-me-disse dos assuntos da moda na blogolândia.

Peço aos amigos que têm o Velho do Farol nos favoritos e blogrolls que incluam o novo blog. O feed continua o mesmo, http://feeds.feedburner.com/mirante.

Quero agradecer a todos os blogueiros e comentadores que têm me inspirado e com quem tenho trocado idéias nos últimos seis anos e meio.

Muito obrigado.

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É preciso estar atento e forte

Talking Heads

Ontem fizemos uma “festa na laje” no solar dos Ponte Souza, a.k.a. terraço/atelier do Paulo Tarcísio, grande amigo. Tudo em louvor à Nossa Senhora de Nazaré, e com bastante conteúdo profano, hehehe, como é aliás o próprio Círio.

O aparelho de som de lá de cima tá caindo aos pedaços, mas um amigo trouxe um iPod e só rolou música boa. Papo vai, papo bem, cerveja, vinho chileno, piscininha de plástico pra relaxar, tudo nessa característica de gente “pobre mas tô na moda” que nos é peculiar.
A seleção musical estava ótima, mas um momento em particular foi meio epifânico. Começou a tocar “Psicho Killer”, dos Talking Heads, e as pessoas começaram a parar as conversas pra poder escutar ou cantarolar a música.

Veja bem, quando nós éramos mais jovens a nossa vida era apenas isso: festa, bebida, farra desenfreada, música e dança. O Bar do Parque ainda não estava completamente entregue a pinguços, putas e turistas otários. Eu saía de casa sozinho na sexta à noite, chegava ao Bar do Parque e podia escolher em qual mesa sentar. Sempre tinha umas quatro ou cinco mesas com gente bacana, inteligente e amiga.

Nessa época de vinil e falta de grana, toda vez que alguém comprava um disco novo da Stiletto era motivo de festa. Os bolachões eram “propriedade coletiva”, e o que mais acontecia era a gente ir na casa de um amigo se achando no direito de exigir que disco tocar. “Toca aquele”.

O Brasil descobria o pós-punk, e os Talking Heads lançavam aquele fantástico Stop Making Sense, o filme-show pelo qual os demais deveriam ser julgados a partir dali. E todo mundo vivenciou essa fase com muita intensidade.

Por isso, então, é que eu vi mágica naquele momento em que todos desviaram sua atenção pra uma música que faz parte não só da história de cada um, mas também da história coletiva da gente, uma turma que começou jovem, depois casou, arrumou emprego, teve filhos, e continua tão jovem quanto há quinze ou dezoito anos atrás.

Aquele momento foi uma pequena homenagem silenciosa a toda essa história.

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Marina Silva e o segundo turno

Marina Silva em entrevista coletiva em São Paulo. Foto de Maurício Lima (AFP)

A candidata do PV conseguiu uma montanha de votos no primeiro turno e tem mostrado um grande apreço pelo capital político que conquistou. Afinal, antes da questão ecológica, o que mais move os eleitores da Marina é a sua mensagem de ética e transparência. E a mensagem ecoou em virtude da campanha limpa que fez, sem demonizar seus adversários, e distribuindo elogios e críticas tanto a Dilma e Serra quanto a Lula e Fernando Henrique.

Não votei nela, mas tenho que reconhecer que ela está dando um show de hombridade e decência neste segundo turno. A lucidez e franqueza que ela demonstrou nessa entrevista ao Estadão são de tirar o chapéu.

Depois de se posicionar duramente contra o fisiologismo do PV, que queria fechar acordo com Serra em troca de cargos, ela mostra que quer fazer o debate sobre apoios no segundo turno em termos programáticos. Por isso, divulgou um programa de 10 pontos, chamado Agenda por um Brasil justo e sustentável, que servirá de base para os encontros que terá com Dilma e Serra e para a decisão na convenção do PV.

O documento é muito bom. Tenho algumas ressalvas, mas no geral é uma proposta bem avançada, embora alguns pontos demandem um apoio no Congresso que acho difícil de conseguir. De qualquer forma, é uma vergonha que Dilma e Serra até hoje não tenham apresentado ao eleitorado um documento semelhante contendo suas propostas, e estejam sendo pautados pela candidata que chegou em terceiro lugar.

Como eleitor de Dilma, acho que ela pode subscrever quase tudo que está lá, e negociar alguns pontos que considero problemáticos. O documento se aproxima mais das bandeiras históricas defendidas pelo PT do que do populismo desenfreado que tomou conta da campanha de Serra, que tem feito propostas mirabolantes (aumentos inviáveis do salário mínimo e das aposentadorias, “décimo terceiro” para o bolsa família) pra tentar tirar votos de Dilma.

Espero que a negociação seja pra valer, ou seja, Marina apresenta o programa e, em caso de concordância de um dos candidatos, presta-lhe apoio para o segundo turno. Senão fica fácil: ela, “linda e loura” (sic), emplaca suas propostas, mas não se compromete em indicar voto a seus eleitores.

Alguns poderão dizer que a simples adesão ao programa apresentado pela Marina já é uma forma de chegar a seus eleitores. O problema é que seu eleitorado não votou nela necessariamente por suas propostas, mas por sua história de vida e sua já citada mensagem de ética e transparência. O aval oficial da candidata é uma forma de dizer que confia que tal candidato honrará os compromissos assumidos.

A imprensa tem afirmado que Marina deve se declarar neutra, mas isso me parece mera especulação. O Alexandre Nodari tem me feito prestar atenção para os movimentos entre os apoiadores dela, alertando que não se deve dar muita importância ao que dizem os principais dirigentes do PV, como José Luiz Penna, Sirkis e Gabeira, e sim ao grupo mais próximo à candidata, que são os ambientalistas que saíram do PT junto com ela. Um deles é Pedro Ivo Batista, que afirmou que o PT saiu na frente na briga pelo apoio de Marina.

Dilma tem feito tudo certinho até agora. Ligou para Marina para parabenizá-la pela votação, e não para pedir apoio. Aguarda respeitosamente o chamado para discutir o segundo turno. E não cometeu a lambança de sair oferecendo ministérios, como fez Serra. Vamos ver no que é que dá.

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Surrealidade

Além deste blogue e do Twitter, também estou postando no Tumblr uma seleção de fotos publicadas nos principais blogues de fotojornalismo. O endereço é surrealidade.tumblr.com.

Tento postar imagens que se destaquem pela beleza e também pelo inusitado da situação ou da composição da foto. Se você não tem uma conta no Tumblr, pode segui-lo através do feed, que está em feeds.feedburner.com/surrealidade.

Pra mim o Tumblr é aquilo que o Twitter queria ser quando crescer. Além de poder seguir e ser seguido, o que eu gosto nele é a facilidade de publicar imagens, vídeos e áudio. Mas acabo usando só pra fotos mesmo. Quem me apresentou foi a Aline e a Lu.

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Um aviso e um pedido

Este blogue teve que mudar de endereço, porque depois de meses “fora do ar” descobri que o domínio marcuspessoa.net tinha sido desativado. Até retomá-lo ficarei aqui no velhofarol.wordpress.com, que é um serviço gratuito muito bom. O endereço do feed continua e continuará o mesmo, feeds.feedburner.com/mirante.

Peço aos colegas blogueiros que têm o Velho do Farol em seus blogrolls que atualizem para o endereço atual.

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Matéria da Veja sobre Erenice Guerra é derrubada no mesmo dia

[atualizado] Dessa vez a Veja extrapolou.

Não, eu não estou dizendo que a revista ainda tivesse alguma credibilidade. Mas a matéria de capa desta semana, atribuindo à ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, a cobrança de propina em contratos do governo federal, é tão frágil que foi desmentida pela principal fonte no mesmo dia em que foi publicada.

O empresário Fabio Baracat, apresentado na matéria como “dono da ViaNet Express, empresa de transporte de carga aérea”, esclareceu em nota que nunca foi ligado à empresa, e desmentiu cabalmente as declarações que revista lhe atribuiu — de que o advogado Israel Guerra, filho da ministra, tivesse lhe cobrado propina para conseguir um contrato com os Correios. O empresário representava na ocasião os interesses de outra empresa aérea citada na matéria, a Master Top Airlines (MTA).

Veja respondeu de forma um tanto enigmática, sem entrar no mérito da negativa de Baracat, e dizendo que a matéria “não foi construída com base em declarações”, mas em documentos que ainda não foram publicados. Só não sei que raio de documento poderia embasar esse trecho:

Os dois levaram o empresário para o apartamento funcional onde Erenice morava até março deste ano. Para entrar, Baracat teve que deixar do lado de fora celulares, relógio, canetas – qualquer aparelho que pudesse gravar o encontro.

Sem falar nas inúmeras declarações em aspas, e a própria chamada de capa:

Empresário conta como obteve contratos de 84 milhões de reais no governo, graças à intermediação do filho de Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil, que foi o braço direito de Dilma Rousseff

Se a história supostamente contada pelo empresário é desmentida pelo próprio, então não existe matéria, certo? Veja inventou um fato. Não que eles não tenha feito isso antes, mas nesse caso o desmentido foi cabal.

A história é tão frágil que a TV Globo não a repercutiu. No link acima, sobre a nota de esclarecimento de Baracat, vê-se que a TV tentou confirmar a história, mas como a principal fonte a negou, o assunto não foi ao ar no Jornal Nacional de sábado.

Já os jornalões fizeram o papelão de ignorar o desmentido em suas matérias sobre o caso. O Estadão e o Globo focaram na (previsível) gritaria da oposição, e a Folha na suposta atuação de Israel Guerra como lobista. Todos destacaram a defesa da ministra Erenice Guerra, mas não o desmentido de Baracat. O Estadão chegou a publicar a nota de esclarecimento, mas no final de uma matéria e sem se referir a isso no título ou no lead. A Folha cita Baracat como “consultor” e ignora as informações falsas da Veja.

É fato que a empresa de consultoria de Israel Guerra atuou em defesa dos interesses da MTA, mas, segundo Baracat e o coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva, diretor dos Correios (citado na matéria do Globo), o trabalho foi de assessoria jurídica, no trâmite de licitações e na retirada do nome da empresa de um cadastro de inadimplentes. Tudo legal, com contrato assinado e comissão de 6% sobre os contratos que a MTA viesse a conseguir com os Correios — que agora a imprensa insinua que é “propina”.

É até possível que Israel Guerra fizesse lobby e tenha usado o nome de sua mãe para conseguir clientes, mas até o momento não há indícios que indiquem isso. Muito menos que a ministra tenha participação no episódio. É mais um factóide inflado por uma imprensa ávida em atingir a candidatura de Dilma Rousseff.

Atualização: matéria de capa da Folha de hoje (quinta, 16) trouxe indícios de que Israel Guerra praticava sim tráfico de influência e cobrava propinas de empresas interessadas em aprovar projetos no governo. Não há acusações diretas contra a ministra, mas, como ela permitiu a um parente atuar nessa área nebulosa, teve que pedir demissão.

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A raposa na casa de chá

As gravuras deste post fazem parte de um lindo trabalho de arte digital: Tea House, um dos melhores temas que o Google disponibiliza para sua página personalizada, o iGoogle.

O iGoogle é a busca do Google junto com outras ferramentas úteis que podem ser inseridas numa área de trabalho integrada. Uma que me foi muito útil nos meses loucos que passei em São Paulo ano passado foi a previsão do tempo, porque eu sou de um lugar onde sempre faz calor, e a única variação é que no meio do ano chove todo dia e no fim do ano chove o dia todo. Eu tinha que pôr sempre na cabeça que em São Paulo as coisas são diferentes. No iGoogle a gente também põe notícias, tradutor, conversor de moedas, etc.

Mas eu não queria falar dele, e sim, da casa de chá. Porque esse tema mostra apenas a vida passando, e eu ainda fico espantado de o quanto isso me deixa contente e aconchegado. As gravuras do cabeçalho do iGoogle vão mudando ao longo do dia, e a raposa dona da casa de chá dorme, acorda, trabalha, faz suas refeições, toca música, medita, e no outro dia as coisas vão acontecendo de novo.

Me sinto aconchegado porque esse último ano foi o ano mais estranho de toda a minha vida. Foi o tempo em que fiquei sem casa, sem emprego, sem computador, sem blog e sem mãe. Não estou fazendo drama; nunca usarei meu blog para reclamar da vida, pois, como disse antes, só tenho a agradecer tudo o que Deus me deu. Inclusive porque esses foram também tempos de paixão, de felicidade louca e totalmente inconsequente.

Só estou querendo situar a total falta de referências em que me vi metido. Me percebi mudado, não ligando pra nada mais que pensassem de mim. Talvez todo o meu esforço de ser uma “boa pessoa” fosse no fundo um desejo de agradar a dona Amparo. Com ela partindo, não estou mais nem aí pra nada, e até fico um pouco assustado com a minha autossuficiência.

Então, o aconchego da casa de chá é porque eu, depois de dar a volta ao mundo, ou pelo menos, ao meu mundo, estou de novo em processo de descer a âncora, e a rotina suave da raposa me enleva. Não deveríamos nos preocupar com a rotina, se esta é apenas feliz. Eu busco a calma necessária para observar a grama crescer, e depois cortar.

Nos tempos estranhos, essa promessa íntima era renovada toda vez em que, em lan houses ou na casa de amigos, eu acessava o iGoogle, pois ele me era muito necessário, pra coisas simples como guardar números telefônicos ou informações importantes. Eu não podia confiar em agendas, papéis, etc. É como se houvesse um Katrina atrás de mim, mandando pro espaço todo lugar onde eu pousasse. Eu tinha que andar com muito pouca bagagem. Mas a casa de chá estava lá, em algum lugar, e eu sabia que a encontraria.

De certa forma, eu já a encontrei. Estou feliz, e quis dividir isso com vocês. E, claro, avisar também que o blog voltou.

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