The House of Love

The House of LoveEsta é um banda inglesa bem pouco conhecida do público. Quando seu primeiro disco (“The House of Love”, simplesmente) foi lançado aqui em vinil, nos anos 80, lembro de ter lido uma resenha na extinta revista Bizz dizendo que o lançamento em si era um milagre, pois a banda era anônima até em seu país natal.

O Brasil vivia a febre do rock, pós-Plano Cruzado, e uma pequena gravadora, Stiletto, lançava as jóias do pós-punk e da new wave aqui, em edições encontráveis em qualquer magazine. Foi o tempo, para muita gente, de ouvir pela primeira vez Joy Divison, Nick Cave, Durutti Columm, The Fall e mesmo os discos menos conhecidos do New Order e Smiths.

Todo mundo comprou os seus bolachões, e um dos que mais causou impacto dessa leva foi o do House of Love (1988, Creation). Ninguém sabia nada sobre eles, mas não importava: o disco é uma coleção perfeita de canções de amor, intensas e ao mesmo tempo melancólicas; alterna rocks e baladas com equilíbrio, e tem melodias apaixonantes.

O som é influenciado pela psicodelia sessentista, com “muros de guitarras”, feedbacks, corinhos, etc, mas com uma energia e um peso vindos do pós-punk. O vocal de Guy Chadwick (também o principal compositor) impressiona, e todas as músicas são assobiáveis e tocáveis ao violão.

É difícil separar faixas, mas Chistine, que abre o disco e foi o único single, é um bom cartão de visitas para a banda: rock viajante com um belo arranjo em camadas, e que evolui para um êxtase de guitarras distorcidas. Man to Child e Love in a Car também estão entre as minhas preeridas. Escute abaixo.

Se tivesse surgido hoje, a banda talvez fosse aclamada como a salvação do rock. Na ressaca pós-fim dos Smiths, passou despercebida, com pouco ou nenhum sucesso comercial, e uma sucessão infindável de singles fracassados e sessões de gravação abortadas, até terminar de forma melancólica em 1993. Chadwick ainda tentou vários projetos, solo ou acompanhado, também sem sucesso.

Mesmo assim, o House of Love deixou várias pérolas em discos posteriores. Além desse debut, quase não houve mais edições nacionais: Call Me (do derradeiro “Audience with the Mind”) integrou a trilha sonora de Faraway, So Close! (Tão Longe, Tão Perto, filme de Wim Wenders), e I Don’t Know Why I Love You (do disco de 1990) fez parte de uma coletânea brazuca chamada “College Rock”.

“The House of Love”, o disco, está fora de catálogo, mas foi incluído integralmente na compilação 86-89: The Creation Recordings, juntamente com todos os singles lançados no início da carreira da banda.

A banda retornou para alguns shows no ano passado e está gravado um disco novo. É esperar para ver o que os quixotes apaixonados vão aprontar dessa vez.

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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2 respostas para The House of Love

  1. Érico disse:

    Olá marcus

    Este disco que você mostrou, que foi o primeiro do The House of Love lançado no Brasil, eu comprei a preço de banana nas Lojas Americanas em 1989. Por se tratar de um grupo desconhecido para os padrões da loja que comercializava músicas bregas, foi posto na queima de estoque. Pra minha sorte, que na época já conhecia o single principal da banda: “Christine”; além do que o disco virou uma raridade, pois nunca mais vi outro vinil igual em loja especializada (entenda-se galerias do rock da r. 24 de maio do centro de SP.

    Christine, é um verdadeiro hino gótico-psicodélico, assim como todas as músicas do LP que são muito bacanas. Na realidade acabei gostando de todo o disco. É difícil dizer qual é a melhor. O The House of Love está no mesmo nível de bandas surgidas no inicio dos anos 1980, como: Jesus and Mary Chain, Echo and The Bunnymen, Joy Division, e as nacionais: Harry, Cabine C e P’Elvis(inicio dos anos 1990).

    Obrigado pela oportunidade !

    ass. Érico Nunes 02/Mar/2008.

  2. Fernando Ítalo disse:

    Muito bacana sua crítica sobre o HOL, que é um daqueles casos de bandas fantásticas que passaram despercebidas pelo grande público e imprensa especializada. A única coisa que eu lembro de ter lido sobre o HOL foi exatamente a resenha publicada na Bizz. Nessa época, eu ouvia muito You Don´t Understand e Christinne na 89 FM Recife (Deus, a tenha hehehehehe). Bem, era a única rádio em Recife que tocava o House Of Love e ainda bem que eu pude ouvir o HOL. Foi um privilégio musical. Ainda hoje me amarro no som psicodélico da banda, nas muralhas de guitarras, nas harmonias e melodias perfeitas.

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