Post sem pé nem cabeça

Por que eu demoro pra responder os comentários que deixam aqui no blog? Por que eu deixo de postar por um mês, sendo que passo pelo menos cinco horas por dia na net? Por que às vezes, quando alguém que eu nem conheço linka pra cá, sequer deixo um agradecimento em resposta? Por que eu nunca consigo escrever sobre as coisas que realmente me interessam? Por que todos os textos são longos e cheios de clichês? Por que a letra do template é tão grande que cada texto sempre parece um jornal?

Eu não sei por que, mas fico me lembrando disso aqui:

Tenho também meditado sobre a [minha] casa. Todas as partes da casa existem muitas vezes, qualquer lugar é outro lugar. Não há uma cisterna, um pátio, um bebedouro, um pesebre; são catorze (são infinitos) os pesebres, bebedouros, pátios, cisternas. A casa é do tamanho do mundo; ou melhor, é o mundo. (…)

Um após outro caem sem que eu ensangüente as mãos. Onde caíram, ficam, e os cadáveres ajudam a distinguir uma galeria das outras. Ignoro quem sejam, mas sei que um deles, na hora da morte, profetizou que um dia vai chegar meu redentor. Desde então a solidão não me magoa, porque sei que meu redentor vive e que por fim me levantará do pó. Se meu ouvido alcançasse todos os rumores do mundo, eu perceberia seus passos. Oxalá me leve para um lugar com menos galerias e menos portas. Como será meu redentor?”

E mais não cito, pois estragaria o melhor conto de Jorge Luís Borges. Acrescento apenas que quando me vêm algumas perguntas amontoadas, não me incomodo tanto, pois sei que meu redentor já pisa o mesmo chão que eu. Talvez eu o encontre breve; talvez demore ou eu nunca o veja; talvez eu já o tenha conhecido e não soube quem era. Mas ele já pisa o mesmo chão, e isso por enquanto é mais do que suficiente.

* * * * * * * *

Borges põe acima um pedacinho do Livro de Jó. Eu ainda não tinha lido o livro, antes de ver essas palavras num cartaz barato de um bar imundo. Parece perfeito para um êxtase religioso pós-moderno, não? Mas só deixou aquele aturdimento de olhar por cima de um muro e ver uma paisagem a perder de vista, sem ter como chegar a ela.

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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