Bin Laden vota Bush

Será que é só eu que estou achando a reaparição, qual um fantasma, de Osama Bin Laden, o fato mais importante dos últimos meses? Há 24 horas atrás já se sabia que existia um vídeo, mas é o conteúdo dele, revelado só ontem à tarde, que assombra. O fato, entretanto, não ganhou o destaque merecido no noticiário de ontem, nem aqui nem nos EUA.

A leitura das palavras do terrorista saudita deixa uma impressão imediata: Bin Laden seqüestrou o discurso de John Kerry, fazendo críticas a George W. Bush que qualquer liberal norte-americano assinaria embaixo:

“A segurança é a principal parte da vida humana e liberais não negligenciam sua segurança, ao contrário de Bush”.

“Eles [republicanos] criaram a ‘lei de segurança interna’ sob o pretexto de lutar contra o terrorismo. Bush, o pai, fez bem instalando seus filhos como governadores de Estados, e ele não esqueceu de transferir o expertise da fraude para a Flórida a fim de beneficiá-los nos momentos críticos”.

“Eu nunca imaginei que o supremo líder abandonaria 50.000 pessoas nas duas torres à mercê de terríveis acontecimentos no momento em que elas mais precisavam dele, ficando mais preocupado com o que uma criança dizia sobre um bode e seu rabo do que com os aviões e os arranha-céus”.

Ao final, uma tirada retórica de gênio, exigindo implicitamente a saída dos Estados Unidos do Oriente Médio:

“Sua segurança não está nas mãos de Kerry, nem nas de Bush, nem nas da Al-Qaeda. A segurança de vocês está em suas próprias mãos. Qualquer Estado que não mexer com nossa segurança certamente terá garantida sua própria segurança”.

A vontade de influir na eleição presidencial norte-americana é óbvia, tanto ao mimetizar o discurso da oposição liberal quanto ao demonstrar claramente estar vivo e assumir a responsabilidade pelo 11 de setembro. Mas, se para o público americano ele é “mal” supremo, o inimigo nº 1, o tiro sai necessariamente pela culatra, sendo desqualificadas todas as críticas semelhantes feitas a Bush. Com isso, Bin Laden, em tese, fortalece a candidatura republicana; em outras palavras, Bin Laden vota Bush.

Se a manobra vai dar certo é que são elas. Ponho aqui duas interpretações possíveis para o senso comum de um cidadão:

“O terrorismo continua sendo uma grande ameaça. Temos que cerrar fileiras com nosso comandante-em-chefe. O discurso de Bin Laden é igualzinho ao dos liberais, eles não são confiáveis”. Ou:

“Bush demonstrou ser um incompetente para prender nosso maior inimigo. Ele continua solto e nos ameaçando. Ele tenta influenciar nossa escolha, e essas críticas são muito estranhas. Até parece que quer que fiquemos com raiva dele e votemos no presidente”.

Viajei na maionese? Não acho. Só não tenho a menor idéia de qual das interpretações vai ganhar mais corações e mentes nesses poucos dias que restam até a decisão dos destinos do império.

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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