Stalker!

Diogo MainardiEsse post não era pra ser escrito. Essa questão cinema x financiamento é sacal, e eu não gosto muito de falar de política. Mas estou meio abismado com o poder de gente como Diogo Mainardi de influenciar o debate nacional. Fiquei surpreso de como um texto rancoroso, moralista e persecutório pôde ser levado a sério e gerar “debates” na blogosfera. E me surpreendi ainda mais quando comentários tímidos que fiz geraram respostas agressivas, com direito a apelidos engraçadinhos.

Qualquer pessoa normal sabe que Diogo Mainardi não oferece idéias, mas apenas polêmicas. Qualquer um nota que ele tem feito de sua coluna apenas uma tribuna de ataques histéricos a Lula, ao PT e a qualquer um que com eles se identifique. Todo mundo percebe os seus truques, mas às vezes precisamos da eloqüência de gente como Mr. Manson para explicar esse tipo, chamado apropriadamente de deformador de opinião:

“Ele lê toneladas de jornais para saber quais são os assuntos que estão carentes de uma opinião. Fica imaginando o que o povão vai pensar e tenta arquitetar um argumento que o contrarie, mas ao mesmo tempo o faça achar interessante”.

A isso se resume o trabalho dos colunistas “polêmicos”. Dar opiniões que, de tão absurdas, de tão contrárias ao senso comum, virem objeto de debate.

No texto em questão, Mainardi faz uma série de críticas ao cineasta Jorge Furtado. Cita informações publicadas em fontes diversas, que não tinham sido notadas pelo público, ou melhor, não tinham sido vistas pelo prisma extremamente negativo que o colunista da Veja usou. Nenhuma delas implica em algo ilegal e são apenas fatos normais na vida de um cineasta que capta dinheiro no país, mas a forma como foram citadas no texto dá a impressão de que Furtado é uma espécie de comissário do PT que vende sua integridade a quem pagar mais.

Não é preciso refutar o texto — ele se refuta em si mesmo, tal o tom de libelo, o ódio que escorre de cada linha. Mas quem o lê desavisadamente pensa tratar-se de uma grave denúncia. Mainardi teve apuro na coleta de informações, que misturou a ilações totalmente gratuitas, mas eficazes. Ou seja, portou-se como um verdadeiro stalker do cineasta gaúcho, um perseguidor sem tréguas.

Foi isso que eu notei ao comentar o assunto no blog do Rafael. Que, se não fosse o paciente trabalho do stalker da Veja, ninguém teria falado no assunto. Afinal, que mal há um cineasta profissional ser pago pelo seu trabalho, captar dinheiro junto a empresas privadas e estatais, e trabalhar para campanhas políticas do PT ou do governo? Nada, né? As pessoas não se interessam por esse tipo de futricas, querem saber é do talento dele, que ele já provou em filmes e séries televisivas de sucesso.

Foi eu dizer isso e ser enxovalhado. Fui acusado de dar a Furtado uma “superioridade moral intrínseca” que o eximiria a priori de responder às “acusações”. O problema é que não são acusações! Não existe uma linha no artigo de Mainardi que seja uma denúncia ou uma acusação. É simplesmente um julgamento moral das atitudes do cidadão Jorge Furtado.

Imagine que um stalker desses não goste de mim, Marcus Pessoa, e queira me atingir deliberadamente. Embora eu pouco fale da minha vida pessoal no blog, não seria tão difícil coletar algumas informações que, não significando nada demais em si, servissem para traçar um perfil extremamente negativo da minha pessoa. Afinal, ninguém é perfeito. E foi exatamente o que Diogo Mainardi fez com sua “vítima”. É assim que fazem os reacionários quando querem atingir aqueles que pensam diferente deles.

Bem, o fato é que se desencadeou uma discussão chata sobre o financiamento do cinema nacional. Chata não porque não seja um assunto interessante, mas porque é sacal ter (ainda) que justificar que é importante que o cinema nacional exista (sim, pois tem liberais fundamentalistas que não acham isso importante, se a única opção é o apoio estatal).

Eu estou com preguiça de falar sobre isso agora, ainda mais que o Rafael fez uma ótima série de posts sobre o assunto. Eu queria que algum dos “contrários” falasse sobre o aperfeiçoamento, e não sobre a destruição do modelo atual. Em todo caso, a caixa de comentários está franqueada, se é verdade que minha opinião faz alguma diferença (e eu constatei, consternado, que parece que sim).

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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