Duas citações

Eu ia escrever mais um artigo sobre o papa, mas cansei! Me deu um desânimo ler o que se escreveu sobre o assunto na blogolândia. Nesse mundinho imaginário acontece um fenômeno curioso: todo mundo quer se fazer de inteligente e pra isso é obrigatório ir contra a opinião majoritária do mundo real.

Se Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra, a batida frase já se tornou unânime entre os sabichões, que se mostram assim mais burros que a massa ignara.

E dá-lhe falácias de que “os princípios da Igreja são imutáveis”, “quem não concorda com o papa não é um bom católico” e etc, repetidos tanto pela direita conservadora quanto por ateístas radicais, unidos no assédio moral a quem simplesmente torce por uma Igreja melhor.

O mundo dos sonhos da direita cristã é um onde todos sejam cristãos. O dos ateístas radicais é um onde as igrejas não existam. Já as pessoas normais sabem que isso são quimeras, e a maioria delas se contentaria com uma coexistência pacífica entre os vários credos e entre os ateus e agnósticos também. Esse é o meu mundo dos sonhos, e não me incomodo nem um pouco de estar do lado da maioria.

Pra fechar o assunto, dois copy + paste. A Zel, num post iluminado, e tendo tantas dúvidas sobre afinal de qual religião é, explicou como faz pra se definir:

“Adotei ultimamente uma estratégia: se o perguntante for católico, digo que sou atéia; se for evangélico, que sou católica; se for ateu, que sou mística; se for budista eu não falo nada e saio correndo“.

E uma piadinha com o cardeal Ratzinger, publicada no ótimo blog português Barnabé:

“Estamos num colóquio ecuménico. O representante budista vai até ao palanque e fala acerca do karma, do nirvana e alayavijnana. Os circunstantes ouvem com atenção e dizem: uau, que fixe, que interessante! Se isso funciona contigo, óptimo.

Depois vem o hindu. Faz uma breve resenha dos seus milhares de deuses, incluindo shiva e agni, lakshmi e ganesh. A plateia aplaude. Uau, que porreiro, que espectáculo. Se funciona contigo, tudo bem.

E o colóquio continua assim a tarde inteira. Vem o judeu com moisés, o muçulmano com maomé, vários animistas com animações (em powerpoint), espíritas, mormones e zoroastrianos. E o público reage sempre da mesma forma simpática.

Nesse momento, levanta-se Joseph Ratzinger. Fala um pouco sobre deus-uno e deus-trino, distinguindo os atributos do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ainda tem tempo para tratar da Virgem Maria, dos Santos e dos Apóstolos. A plateia está rendida. Uau! Que… — mas Ratzinger interrompe, furioso.

– Não é nada uau, seus cretinos! Não é “fixe”, não é “óptimo”, não é “se funciona contigo”! Isto é a verdade, o resto é tudo mentira, quem acredita nisto vai para o céu e quem acredita no resto vai parar ao inferno, perceberam finalmente?!

A plateia engole em seco. Ficou um pouco surpreendida com os decibéis e os perdigotos. A pouco e pouco ouvem-se os primeiros aplausos:

– Uau, que fixe, que óptimo. Eh pá, se isso funciona contigo, é o máximo”.

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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