Computadores faziam cálculos, não arte

Por puro acaso caiu em minhas mãos um exemplar de 1958 da revista Ciência Popular, publicação de divulgação científica pobremente impressa, com imensos textos em corpo 8, manchetes com pontos de exclamação e uma grande variedade de assuntos.

Entre artigos um tanto apressados como “O Infarto do miocárdio deixará de matar!” e um amplo dossiê ilustrado contra a maconha, achei esse pequeno texto (não assinado) sobre a primeira geração de computadores. Notem que eles não usam o termo “computadores”, mas máquinas de calcular eletrônicas. No máximo, citam o termo ordenadores, que até hoje é a palavra em espanhol para designar o micro que você tem diante de si.

Achei fascinante, como visão ainda um tanto incipiente sobre as possibilidades dessas “máquinas de calcular”. PCs, é claro, não existiam nem nos sonhos mais visionários.

Abaixo, os melhores trechos.

ENIAC

A MÁQUINA DE CALCULAR NÃO SUBSTITUI O HOMEM!

Há quinze anos, apareceu nos Estados Unidos a primeira máquina eletrônica de calcular, denominada ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Automatic Calculator). A partir desse momento, foram realizados notáveis progressos na construção de tais tipos de máquinas, para as quais o termo de “ordenadores” (Information Processing Machines) vem generalizando-se.

Sua utilização encontra mercado com incrível rapidez, tanto para as necessidades de investigação científica pura e aplicada, como de um modo geral, para a solução rápida de todos os problemas que contenham elevado número de variações (caso concreto em meteorologia).

Para os grandes serviços administrativos, públicos ou particulares: bancos, transportes, seguros, etc., tais máquinas vêm solucionar um problema que até agora esbarrava em grandes dificuldades: o registro de elevado número de informações, assim como a possibilidade de tornar a encontrar instantaneamente os dados necessários para uma decisão definitiva.

As máquinas de calcular eletrônica não substituem — naturalmente — a reflexão criadora do homem. A expressão “cérebro eletrônico”, com que às vezes são designadas essas máquinas, contribuiu, com efeito, para estabelecer certa confusão, dando ideia errônea dos fatos. Da mesma forma que a descoberta dos logaritmos permitiu, no decorrer do século XVI, automatizar os cálculos aritméticos, graças às propriedades dos expoentes, a invenção das máquinas calculadoras eletrônicas permite efetuar, automática e rapidamente, complicadas operações matemáticas.


A inspiração para o título do post veio da música de letra minimalista de Fred Zero Quatro, já gravada por Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Elza Soares.


COMPUTADORES FAZEM ARTE

(Fred Zero Quatro)

Computadores fazem arte
Artistas fazem dinheiro
Computadores avançam
Artistas pegam carona
Cientistas criam o novo
Artistas levam a fama

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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