Réu confesso

Tim MaiaTim Maia voltou ao noticiário, agora que seus discos “perdidos” (os dois volumes de Tim Maia Racional) estão sendo finalmente lançados em CD. O primeiro volume já saiu, e o segundo está a caminho.

Pra quem não sabe, são dois discos editados em 1975 e 1976, quando Tim abraçou a doutrina da seita Universo em Desencanto, uma confusa mistura de espiritismo e ufologia. Um relato dessa história você encontra aqui.

Após deixar a seita “batendo a porta”, Tim quis esquecer essa fase. Os discos nunca foram reeditados, e suas cópias tornaram-se disputadas entre colecionadores, chegando a valer 400 reais cada uma.

O culto aos discos perdidos avolumou-se de tal forma que parte da crítica hoje os considera os melhores trabalhos do cantor.

O que só demonstra o quanto o poder de um mito pode se sobrepôr à realidade. E também que muitas pessoas com boa informação musical tendem a dar mais valor àquilo que só elas conhecem. Basta ver a turminha indie: fãs que não gostam quando seu artista preferido cai no gosto popular.

Sim, os dois volumes “Tim Maia Racional” são muito bons. Contêm vários clássicos obscuros, como “Imunização Racional (Que Beleza)” (regravada por Gal Costa), “Bom Senso” e “Quer Queira Quer Não Queira”. Mas daí a dizer que são os melhores da carreira de Tim vai uma grande distância.

Não dá pra esquecer que, antes dessa aventura anticomercial, Tim Maia já tinha gravado quatro discos perfeitos, de um legítimo soul temperado com ritmos brasileiros (samba, baião, etc), e de uma excelência lírica e melódica sem igual. Ele era sobrenatural como cantor, compositor e produtor. Seus arranjos tinham um charme clássico que normalmente associamos à música norte-americana. Sua voz ia dos falsetes aos graves com grande desenvoltura.

Eu tinha até esquecido do quanto ele era bom. Eu cresci ouvindo os vinis antigos da mamãe, e quando ela me pegou um dia desses escutando os discos “malditos”, pediu pra eu baixar os outros, pois estava com saudade. O que me levou a essa incrível comunidade no Orkut, Mp3 Discografias para Download, que disponibiliza de forma bem organizada discos de dezenas de artistas, usando serviços como MegaUpload e RapidShare para download direto, sem precisar de programas P2P.

Ouvir de novo os discos da fase clássica foi uma experiência emocionante e serviu pra colocar numa perspectiva correta os “racionais”. Sim, bons discos, mas que se ressentem de uma produção discreta demais e um certo minimalismo nas melodias. Não dá pra comparar com a exuberância de jóias como “Não Quero Ficar” (1971), “Pelo Amor de Deus” (1972) e “Gostava Tanto de Você” (1973).

Peguei os quatro discos (todos chamados “Tim Maia”, e lançados entre 1970 e 1973) e montei uma coletânea com 22 faixas, nenhuma menos que ótima. Baixe aqui (61 MB) e veja se eu não tenho razão.

A lista das músicas está no final do post. A faixa abaixo, que abre o disco de 1973, é talvez a que me dá lembranças mais fortes de meus tempos de criança, e um dos melhores exemplos de pop perfeito que posso imaginar.

Réu Confesso
(Tim Maia)

Venho lhe dizer: se algo andou errado
Eu fui o culpado, rogo seu perdão
Venho lhe seguir, vim pedir desculpas
Foi por minha culpa a separação

Devo admitir que sou réu confesso
E por isso eu peço, peço pra voltar
Longe de você já não sou mais nada
Veja, é uma parada viver sem te ver

Longe de você já não sou mais nada
Veja, é uma parada viver sem te ver
Perto de você eu consigo tudo
Eu já vejo tudo, peço pra voltar

Playlist da coletânea: 1. Coroné Antônio Bento / 2. Padre Cícero / 3. Primavera / 4. Risos / 5. Azul da Cor do Mar / 6. Cristina nº 2 / 7. A Festa do Santo Reis / 8. Não Quero Dinheiro / 9. Salve Nossa Senhora / 10. Não Vou Ficar / 11. Você / 12. Idade / 13. Canário do Reino / 14. O Que Me Importa / 15. Lamento / 16. Pelo Amor de Deus / 17. Where is My Other Half? / 18. Réu Confesso / 19. Até Que Enfim Encontrei Você / 20. Do Your Thing, Behave Yourself / 21. Gostava Tanto de Você / 22. A Paz no Meu Mundo é Você

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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