A Colômbia é aqui

A onda de atentados contra agentes da lei em São Paulo, organizada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e com 52 mortos até o momento, é apenas mais um degrau na escalada de enfrentamento direto ao Estado por parte do crime organizado. Há algum tempo houve ataque com granadas ao prédio da prefeitura do Rio de Janeiro.

Em São Paulo a situação é mais complexa, pois temos um governo que teoricamente está fazendo tudo o que pode para conter a quadrilha, implantando regimes especiais de prisão, construindo presídios de segurança máxima, etc. Mas é o tal negócio: o que interessa para nós, cidadãos, não é o esforço, mas o resultado.

Aparentemente, falta inteligência ao sistema de segurança: se o isolamento dos líderes é para impedir que eles chefiem as quadrilhas de dentro da cadeia, como é que eles conseguem coordenar dezenas de ações simultâneas? 64 presídios rebelados ao mesmo tempo! É mais que o dobro da rebelião de 2001, que parou 28 unidades e mostrou a força do PCC.

Só falar grosso não adianta nada. A Folha de S. Paulo resgatou declaração de 2002 do chefe do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado) que mostra a empulhação:

“O PCC é uma organização falida. Se o PCC tinha uma boca cheia de dentes, agora tem um dentinho ali e outro lá. Não morde mais ninguém”.

Parece que um bom dentista cuidou dessa boca banguela. Ou então (o mais provável) o governo paulista minimizou propositalmente a ameaça, com intenções políticas. Aliás, intenções políticas é que não vão faltar nas análises sobre o fato. Apoiadores de Geraldo Alckmin, incapazes de admitir o fracasso de sua política de segurança pública, já começaram a fazer uma relação entre o PCC e o PT (!).

Reinaldo Azevedo, o surtado blogueiro-editor da revista Primeira Leitura, já tinha insinuado que as rebeliões em presídios no mês de março eram parte de uma estratégia petista. Hoje foi bem mais explícito, ao dizer que “o único ângulo razoável para analisar as ações do PCC em São Paulo é o político-eleitoral”. O blog de Nemerson Lavoura faz uma pergunta que diz tudo: o PCC é petista?

No meu tempo, isso se chamava “mudar de assunto”.

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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