Sobre a eleição

Primeiro, quero dizer que estou feliz pelo fato da senadora Ana Júlia (foto) ter ido para o segundo turno aqui no Pará contra o ex-governador Almir Gabriel. É a possibilidade concreta de desalojar a corja tucana que está no poder há 12 anos.

Nesse período, houve o massacre de Eldorado de Carajás, a privatização da companhia elétrica estadual (que fez triplicar as contas de luz), um cabuloso escândalo de corrupção (isenções para cervejarias) envolvendo diretamente o governador e o ex-governador, e o aumento dos casos de trabalho escravo e de mortes em conflitos agrários. O Pará tem os impostos mais altos do país, as riquezas naturais continuam sendo retiradas daqui sem qualquer contrapartida, e há um descalabro na situação da saúde e segurança pública. A compra de votos é prática corriqueira no interior, e os sucessivos governos do PSDB têm deixado à míngua as cidades cujos prefeitos são de partidos da oposição.

No campo nacional, já era esperada a não-vitória de Lula no primeiro turno, graças a Berzoini e seu Personal Denunciator Tabajara. E acho que o pessoal de esquerda está exagerando, está uma sangria desatada por causa disso. Entre os leitores da Mary está um chororô. Nas discussões de ontem do Botequim Socialista a certeza de uma vitória de Alckmin parecia maior do que na própria comunidade deste no Orkut. Começou imediatamente uma troca de acusações com os integrantes do PSTU e PSOL, que foram chamados de “quinta coluna” pra baixo. É aquele ditado, em casa que tem pouco pão, todo mundo briga e ninguém tem razão.

Muita calma nessa hora. As pessoas esquecem que o voto em Lula está muito consolidado, e que ele deixou de ganhar no primeiro turno por menos de um ponto e meio percentual. O jogo está aberto. Alckmin tem a vantagem psicológica, mas a batalha está longe de já ter um vencedor.

Minha conversa é com os eleitores progressistas. O post anterior, aliás, não foi dirigido aos que votam em Alckmin. Tem gente que vem contestar usando argumentos de duas linhas, e que fazem questão de não analisar o todo da questão. Não é o caso da LOka, por exemplo, que fez um longo arrazoado para declarar voto no Chuchu — do qual discordo inteiramente, mas não posso dizer que não é uma decisão pensada. Mas ela é exceção, a maioria dos argumentos pró-Chuchu que eu leio são de uma pobreza incrível. É o tal que acha que os nordestinos não têm discernimento suficiente para escolher. É o outro que realmente acredita que no PSDB não tem corrupção. Com essas pessoas não há diálogo possível.

Eu quero me dirigir a você, meu leitor e/ou amigo, que votou em Heloísa Helena, ou Cristovam, ou nulo, e pretende votar nulo agora. Eu quero que você analise com muita calma se vale a pena se abster do processo.

É claro que você deve ter motivos para não votar em Lula, mas queria que você pensasse no todo, e no que significou esse governo em relação a uma mazela histórica, a perversa distribuição de renda deste país.

No post anterior coloquei subsídios para julgamento. Nunca houve uma redução tão grande na miséria, e não foi só por causa do Bolsa Família. Estudo da Fundação Getúlio Vargas coloca, como outros fatores, o aumento do emprego e do salário mínimo, que subiu acima da inflação. A questão é simples: o pobre está comendo melhor, está podendo satisfazer as necessidades básicas. A oposição fala em “crescimento econômico medíocre”, mas para quem realmente está precisando, o crescimento da renda é de 10, 12 por cento ao ano. Evitar que as pessoas passem fome não é uma grande realização? Você acha que um governo Ackmin faria isso?

Vejo entre os que vão votar nulo, pessoas de muito discernimento, que estão simplesmente cansadas da lama da política. Eu entendo isso. Mas são pessoas que não precisam tanto do governo para coisas básicas, mesmo numa situação de crise conseguem se virar. Já os mais pobres precisam, e muito, que o governo olhe por eles. O que eu peço a esses esclarecidos eleitores é um voto de solidariedade a nossos concidadãos mais pobres. Eles não têm canais pra se expressar, eles não têm computador para argumentar na internet, e por isso acabam sendo esquecidos no debate nacional. E para eles, as políticas sociais podem significar a diferença entre a vida e a morte de uma criança, entre o fracasso e o sucesso de um jovem.

A paulada que Lula e o PT pegaram já foi violenta, e não será a vitória que os deixará de salto alto de novo. Eles saberão ouvir as queixas e fazer um segundo governo melhor. Uma vitória de Ackmin significará a desorganização completa da esquerda e um fortalecimento dos reacionários como nunca se viu desde o fim da ditadura militar. Pense nisso.

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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