Eram os deuses depredadores?

A pergunta se justifica quando tomamos contato com o que aconteceu de verdade na Ilha da Páscoa, uma das mais intrigantes histórias sobre a passagem do homem pela Terra.

Essa ilha, pequeno pedaço de terra literalmente no meio do nada (Oceano Pacífico, a 2000 km da civilização mais próxima), é famosa mundialmente pelos moai, enormes estátuas de pedra que a adornam.

São tão grandes e pesadas que durante muito tempo perguntou-se como aquele povo primitivo encontrado pelos europeus há séculos atrás poderia tê-las construído e transportado para seus locais atuais. O livro de Erich Von Daniken, Eram os Deus Astronautas?, fez um enorme sucesso há algum tempo especulando que estas e outras maravilhas do mundo antigo teriam sido presente dos “deuses”, na verdade seres de uma avançada civilização extraterrestre.

Hoje se considera perfeitamente razoável que foram mesmo os nativos que construíram as estátuas, já que elas são feitas de rocha vulcânica relativamente mole, que pode ser esculpida facilmente. Experiências recentes reconstituíram, usando apenas material que existe na ilha, o que poderiam ter sido as operações para movimentar os enormes blocos.

O povo que levantou as estátuas era desenvolvido, mas quando os europeus chegaram à ilha, encontraram apenas um punhado de nativos vivendo em cavernas. E sabem por quê? Porque eles tinham involuído como civilização após esgotarem seus recursos naturais.

A ilha, hoje quase inteiramente desmatada, era coberta por florestas na época em que os polinésios a ocuparam, há quase dois mil anos. A madeira era a base da sociedade, e usada nas casas e nos barcos e redes de pesca. Com o exaurimento das florestas, tornou-se impossível pescar e a sociedade entrou em colapso: escassez de alimentos, guerras e até canibalismo. Sem barcos apropriados, os habitantes da ilha ficaram presos a ela e definharam.

Que isso sirva de lição pra nós, que estamos numa Ilha da Páscoa em escala ampliada: o nosso pequeno planeta Terra. Não temos para onde ir, e estamos acelerando a depredação dos recursos naturais que nos mantêm vivos.

Em que cavernas vamos nos esconder, eu não sei. Mas vão ser poucos que conseguirão, e no caminho pra elas veremos uma versão ligeiramente mais selvagem da luta de classes estudada por um certo barbudo alemão.

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Sobre Marcus Pessoa

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