Ainda sobre a imprensa

[atualizado] Alguns leitores, principalmente o Homero, têm questionado os meus posts contra a imprensa anti-Lula. Dizem que existe uma parte da imprensa que apóia o presidente: Carta Capital, IG, Caros Amigos.

O Homero chega a falar em “mentiras descaradas” da Carta Capital. Pedi-lhe que as elencasse, e ele não o fez. Já eu posso citar pelo menos três matérias de capa da revista Veja que foram simplesmente inventadas: o dinheiro das FARC para a campanha de Lula em 2002, o “ouro de Cuba”, e as contas bancárias no exterior de Lula e outros petistas graduados. As três matérias foram produzidas com base em documentos e depoimentos falsos.

Que a Veja pretende derrubar um governo democraticamente eleito, é óbvio. Já a campanha feita pelos órgãos das Organizações Globo e do Grupo Folha é muito bem camuflada. Ao contrário da Carta Capital, que vende apenas 60 mil exemplares e declarou apoio a Lula, estes dois gigantes da mídia tentam enganar o público, escondendo-lhe que estavam em campanha por Geraldo Alckmin.

Em 1954, a grande imprensa estava prontinha para dar apoio à deposição do presidente Getúlio Vargas. Em 1964, aplaudiu a derrubada de João Goulart. Em 2002, a grande imprensa venezuelana (e também a brasileira) apoiou igualmente a tentativa de depor o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Com todo esse histórico golpista, vêm os críticos de Lula dizer que ele é que é autoritário, por causa de algumas perguntas ríspidas de um delegado federal a jornalistas da Veja.

O sempre polêmico Alon Feuerwerker levantou a tese esdrúxula de que jornalistas não podem ser obrigados a prestar esclarecimentos perante a polícia. Aparentemente, estão num patamar que não é reservado a nenhum outro cidadão.

A confusão entre a PF e a Veja é, com certeza, um desgaste desnecessário e uma mostra de inabilidade política, mas dizer que é um atentado à liberdade de imprensa é um baita exagero. Nada foi feito contra a lei, e havia advogado e Procurador da República acompanhando o depoimento. A Veja está claramente tentando usar politicamente o episódio.

Todas as vezes em que é criticada, a imprensa reage chamando de autoritários os seus críticos. Na prática, considera-se intocável. Quando a própria imprensa aponta os seus erros, é um deus-nos-acuda.

A Rede Globo ficou tão preocupada com a matéria da Carta Capital mostrando as manipulações pré-eleitorais a respeito do dossiê, que obrigou seus jornalistas a assinarem uma nota desmentindo a matéria:

O abaixo-assinado foi escrito a pedido da cúpula do jornalismo da emissora e teria circulado pronto na redação para a coleta de assinaturas. A responsável pelo texto seria a própria Mônica Maria Barbosa. No dia em que as assinaturas estavam sendo coletadas, houve um princípio de discussão sobre o assunto na redação de São Paulo. Diante dos questionamentos dos jornalistas, Mariano Boni, um dos chefes da reportagem, rebateu dizendo que “quem não estiver satisfeito com a cobertura da Globo que pegue o chapéu e vá para a Record”. Do Rio de Janeiro, a editora-chefe do Globo Repórter, Sílvia Sayão, ligou para sua equipe em São Paulo dizendo que “seria bom se os jornalistas assinassem o documento”. (…)

Alguns profissionais que antes tinham assinado o documento pediram a retirada de seus nomes –- o que criou um forte constrangimento interno. Como vários jornalistas descreveram à Carta Maior, estava aberta ali a “caça às bruxas” dentro da Globo. “Não se trata de demitir quem não colocou o nome no abaixo-assinado, mas assim eles ficam sabendo com quem podem contar ali dentro”, disse um repórter. “Foi um jeito de colocar o guizo no rabo de alguns gatos”, disse outro.

Em alguns comentários de profissionais da Globo deixados nas páginas da internet que publicaram o abaixo-assinado fica claro como muitos realmente assinaram de forma espontânea o texto. Outros, no entanto, confessaram depois não ter percebido que isso seria usado como instrumento político pela empresa. Funcionaram como escudo para a chefia do jornalismo da Globo, principalmente para Ali Kamel, que ficou bastante exposto depois das reportagens de Carta Capital. (…)

Na semana em que o comunicado interno foi enviado, um repórter da emissora que trabalha no Rio de Janeiro viu Ali Kamel chorando na redação.

PS: a Procuradora da República que acompanhou o depoimento dos jornalistas da Veja na Polícia Federal disse que não houve intimidação contra eles.

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Sobre Marcus Pessoa

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