Rock'n'roll

Não dá pra ver, mas são os Cold War Kids

Existe uma lei no mercado musical que diz que as pessoas aprendem na juventude a gostar daquilo que ouvirão pelo resto da vida. Ficam presos a um estilo.

Mas nem todo mundo é assim. O jornalista e DJ Tom Leão conta num bom texto a patrulha que sofreu por abraçar, sucessivamente, o punk rock, os Smiths e a música eletrônica. Eu concordo integralmente com a crítica que ele faz às pessoas que deixam as pedras pararem de rolar e criarem limo.

O Tom escrevia na revista Bizz, devidamente desancada, en passant, pelo Rafael num post sobre a edição brasileira da Rolling Stone. O problema é que a Bizz foi a melhor revista de música dos últimos tempos, e a crítica do Rafael reflete, no fundo, o conservadorismo expresso na tal lei de mercado.

Afinal, a Bizz dava muito espaço a bandas iniciantes e pouco conhecidas. Ela fazia apostas: perdia algumas, ganhava outras. E o tempo todo tinha leitores chatos reclamando do espaço dado aos artistas independentes. É o mesmo pessoal que escuta U2 até hoje, ainda que esteja uma porcaria. Que elogia Bob Dylan até quando ele faz um disco ruim como o desse ano. Que não consegue desgrudar dos Beatles, mortos há tempos.

Tive todos os discos do U2, do primeiro (Boy) ao nono (Pop). E no entanto eu não escuto mais, não só os novos, que são medíocres, como também os antigos, que têm um lugar no meu coração, mas são passado. E quem vive de passado, etc.

O resultado é que fico constantemente prestando atenção em artistas de fora do esquema, que fazem um trabalho melhor do que esses medalhões chafurdando em fórmulas batidas…

(clique no player de cada música para ouvir)

Cold War Kids

Faixa: Hospital Beds

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Banda californiana que faz uma música densa e surpreendente. A guitarra às vezes é limpinha como as guitarras de blues, mas quase não tem blues. O piano é onipresente e se presta a brincadeiras atonais. E o vocal tem muita personalidade. O álbum de estréia não é perfeito, mas tem momentos apaixonantes.

Peter, Bjorn and John

Faixa: Chills

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O trio sueco já está no terceiro disco, mas alcança agora uma certa notoriedade por causa de uma música (Young Folks) tão assobiável que… começa com um assobio. Pop grudento, ensolarado, e ao mesmo tempo contido, lo-fi, que às vezes parece algumas coisas do início do New Order, ou o indie-pop do Postal Service.

Imogen Heap

Faixa: The Walk

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Imogen é uma cantora inglesa, que já participou do grupo Frou Frou, e neste seu segundo disco solo mescla músicas lentas, rarefeitas, com um pop eletrônico de qualidade. Faz um uso privilegiado de sua bela voz, lembrando eventualmente Cocteau Twins ou Dead Can Dance. E não me falem de Enya, por favor, que eu infarto!

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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