Tadinhos dos gringos…

Eu nem ia falar mais sobre o filme Turistas — sobre o qual você leu aqui antes de todo mundo, aliás –, mas como o “debate” sobre ele tá uma coisa hilária, eu vou dar meu pitaco.

Já recebi várias cópias do spam pedindo boicote a ele. Mal escrito de dar pena, o texto diz que a produção “só visa denegrir nossa imagem”. Bobagem. É apenas um filminho classe Z que aproveita um belo cenário e uma lenda urbana interessante — o tal mercado paralelo de órgãos para transplantes.

Está havendo uma histeria patrioteira, mas eu acho mais engraçado o movimento contrário: pessoas que se consideram acima dessas “baixarias” e, para afirmar uma suposta independência, dizem que o filme “apenas mostra a realidade brasileira”.

Ou não o viram, ou estão mentindo descaradamente.

Baixei da internet uma cópia de qualidade sofrível — ainda não há um link aberto que eu possa indicar — e, acreditem, é um dos filmes mais idiotas que eu já vi em toda a minha vida.

Não dá pra não rir com os estereótipos fajutos. Os gringos pegam um ônibus de Salvador pra Recife e é um daqueles de linha urbana, sem poltronas reclináveis, e o motorista corre que nem um louco numa estrada estreita e sinuosa. O cara não usa uniforme e passa a viagem tirando meleca do nariz.

Uma das gringas está tirando foto de uma criança e o pai vem cheio de marra encrencar com ela. A explicação dela para os outros: “é que tem histórias de estrangeiros roubando órgãos de crianças e por isso há muita hostilidade contra turistas”.

Depois que eles pegam um boa noite cinderela e acordam apenas com a roupa do corpo, vão a uma vila próxima buscar ajuda e todos — eu disse todos — os habitantes da vila olham torto pra eles, não querem conversa, parece que os odeiam apenas por serem estrangeiros.

O bandidão principal manda os órgãos extraídos dos infelizes para um hospital público de Salvador, para serem transplantados em pacientes brasileiros…

Em resumo, um Brasil inventado, sob medida para uma historinha de terror. E nem como terror presta. É chato, as coisas demoram pra acontecer, e não é nada assustador. As cenas sanguinolentas são curtas e sem emoção.

Não precisa pedir boicote. O filme já boicota a si mesmo.

Anúncios

Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s