Vestido e armado com as tuas armas

Jorge de Anicii, o Cavaleiro de Cristo, descansa permanentemente em lugar de honra na minha mesa de trabalho, com sua pose mais gloriosa.

Dona Amparo, sabendo-me devoto do santo, e tendo conhecimento de que o devoto não deve comprar a imagem, mas ganhá-la de presente, trouxe-me-a de uma viagem a Aparecida. Tenho uma outra, maior, presente de um amigo, mas ainda não pude buscá-la.

Hoje, 23 de abril, é o dia de São Jorge. O santo guerreiro teria morrido há exatamente 1.704 anos, mas… a verdade histórica é o que menos importa, baby. Não se faça de bobo acreditando na infinidade de lendas sobre ele.

Pense no que ele representa no coração das pessoas; isso sim é importante. O espírito indômito. O inconformismo contra as injustiças. A coragem de enfrentar os poderosos. A força, a elegância, a graça.

Prestar esse louvor não faz de ninguém carola ou cúmplice de uma igreja corrupta. Jorge foi entronizado pelo povo e não por uma malta de bispos. Caso único na história.

Padroeiro de tantas cidades e países, é amado na Catalunha, e uma experiência inesquecível foi estar num 23 de abril desses na festa de Sant Jordi (seu nome catalão) em Barcelona.

Como homem sábio que era, Jordi patrocina também a cultura, e por ter salvo sua amada do dragão, abençoa o amor romântico. Na Catalunha seu dia é também o dia do livro e o dia dos namorados, e todos se dão livros e rosas de presente.

As vias públicas da bela capital ficam abarrotadas de banquinhas vendendo os presentes, que em tempos menos afeitos à igualdade sexual eram mais específicos: as moças ganhavam as rosas, e os rapazes os livros. Como já se sabe que elas não são imunes à inteligência e nem eles ao amor, ganham-nos hoje indistintamente.

Naquele 23 de abril, dei dois livros e ganhei um, que guardo até hoje (La ciudad de los prodigios, de Eduardo Mendonza); dei uma rosa e ganhei duas. Fui às missas e aos folguedos, e tenho me sentido, sempre, vestido e armado com as armas de Jorge. Vendo facas e lanças se quebrarem antes de chegar a mim, e sabendo que ninguém nem em pensamento pode me fazer mal.

Jorge da Capadócia
(Jorge Ben)

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(clique no botão de play para ouvir)

Jorge sentou praça na cavalaria
Eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo, meu corpo não alcançarão
Espadas, facas e lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia, viva Jorge
Jorge é de Capadócia, salve Jorge

Perseverança ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor

(a letra da música é uma adaptação da oração do santo)

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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