Oops, I did it again

E quando tudo parecia tranquilo, quando as coisas se encaminhavam para resoluções racionais e acertadas, quando a vida corria sem pressa (sic), e podíamos ver os incríveis pôr-do-sol desse maio maravilhoso, certos de que, no dia seguinte, eles ainda estariam lá, bem, quando não havia novidades, e isso era ótimo, eis que acontece de novo.

Quando você se apaixona, todos os clichês possíveis te vêm à mente. “Atropelado por um trem desgovernado”. Depois de séculos de canções de amor, não é possível dizer algo novo. Mas isso Coelet já dizia há milhares de anos…

Ficar idiota, fazer loucuras em série, deplorar cada momento em que não está com a pessoa amada, torna-se a rotina, aquela rotina que você não estava querendo reviver (ou pelo menos queria que ela não aparecesse agora, neste momento), porque você estava se sentindo bem como estava, dormindo no chão pra não cair da cama.

Pois hoje você dorme em redes penduradas nas estrelas, e todos os dias quando acorda você cai da rede de uma altura que nem poderia suportar — mas suporta. Você não morre. Você é duro, José.

Nessas horas, eu só consigo escutar Radiohead.

[xspf]_start(FALSE, ‘order=16’)[/xspf]

(clique para ouvir)

Radiohead – True Love Waits

I’ll drown my beliefs
To have you be in peace
I’ll dress like you please
To wash your swollen feet

Just don’t leave
Don’t leave

I’m not living
I’m just killing time
Your tiny hands
Your crazy kitten smile

Just don’t leave
Don’t leave

And true love waits
In haunted attics
And true love lives
On lollipops and crisps

Just don’t leave
Don’t leave

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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3 respostas para Oops, I did it again

  1. Claudia disse:

    .
    Todas as cartas de amor são
    Ridículas.
    Não seriam cartas de amor se não fossem
    Ridículas.

    Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
    Como as outras,
    Ridículas.

    As cartas de amor, se há amor,
    Têm de ser
    Ridículas.

    Mas, afinal,
    Só as criaturas que nunca escreveram
    Cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    Quem me dera no tempo em que escrevia
    Sem dar por isso
    Cartas de amor
    Ridículas.

    A verdade é que hoje
    As minhas memórias
    Dessas cartas de amor
    É que são
    Ridículas.

    (Todas as palavras esdrúxulas,
    Como os sentimentos esdrúxulos,
    São naturalmente
    Ridículas.)

    Álvaro de Campos, 21-10-1935
    .

  2. Claudia disse:

    Florbela Espanca

    .

    Fanatismo

    Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
    Meus olhos andam cegos de te ver !
    Não és sequer a razão do meu viver,
    Pois que tu és já toda a minha vida !

    Não vejo nada assim enlouquecida …
    Passo no mundo, meu Amor, a ler
    No misterioso livro do teu ser
    A mesma história tantas vezes lida !

    “Tudo no mundo é frágil, tudo passa …”
    Quando me dizem isto, toda a graça
    Duma boca divina fala em mim !

    E, olhos postos em ti, digo de rastros :
    “Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
    Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! …”

    Livro de Soror Saudade (1923)

    .

  3. gilvas disse:

    assustador é como as letras de thom yorke vêm mostrando-o cada vez como alguém pragmático. se em true love waits ele expressa seus receios, em all i need ele simplesmente abraça uma realidade, sem mais questionar.

    e ainda assim soa lindo.

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