With hearts on fire I reach out to you tonight

Era o tempo da descrença, e era o tempo da esperança. Era o tempo de quebrar as estátuas, e o tempo de entronizar novos ídolos. Era a crise e era a oportunidade.

Nunca vamos nos recuperar daquele tsunami musical, a new wave. Todos aqueles clichês do rock-meninos-cabeludos-guitarras-distorcidas sendo pulverizados por uma geração quase inacreditável de artistas dos dois lados do Atlântico Norte, que transformaram o ecletismo, o desassombro, a vontade de experimentar, misturar sons e culturas, proclamar a morte do mundo como o conhecemos, e o nascimento de um outro, transformaram isso numa regra, a regra que balizaria a música pop daí pra diante.

Todo esse imenso nariz de cera é porque uma das bandas mais importantes daquela época, o New Order, acabou, como já abordei neste post, mas seu legado nunca será esquecido, e hoje a Europa é varrida pela onda indie dance, totalmente tributária do quarteto de Manchester. As bandas já não se limitam a fazer rock divertido pra dançar, como no britpop; injetam no próprio âmago de seu som os beats eletrônicos da dance music.

O rock teve o verão do amor em 1967, a música eletrônica teve o seu em 1989, com a explosão da acid house, e muita água passou debaixo dessa ponte. Hoje a ortodoxia é o sinal de morte de qualquer artista.

Cut Copy

A minha banda indie dance preferida são os australianos do Cut Copy. Lançaram em abril o seu segundo disco, In Ghost Colours, um dos álbums mais fantásticos dos últimos anos. A geração MP3 talvez não saiba, mas “álbums” existem e podem ser um pacote completo de felicidade. Nada contra singles, três ou quatro minutos avassaladores tomando conta de uma cultura. Mas um álbum separa os homens dos meninos.

E com o Cut Copy esses meninos viram homens celebrando e fazendo festa. Um disco incrivelmente solar, incrivelmente pra cima, incrivelmente vontade de subir na mesa e pular e cantar junto.

É atualmente o único álbum que eu faço questão de escutar inteiro, do início ao fim, sem pular uma faixa sequer. Este procedimento é arriscado com 95% da música pop lançada hoje; não tente fazer isso em casa com qualquer um.

Já que falamos em New Order, não me digam que eles os imitam, porque uma coisa é imitar o clima, a ambiência de uma época, como faz a maioria das bandas do chamado “novo rock”, outra é emular o pop perfeito. Só se consegue isso… fazendo também pop perfeito. Melodias que parecem que nunca deixaram de estar em nossa mente: pra fazer isso não tem receita.

Reúna oito ou dez singles prontinhos pra serem prensados, três ou quatro vinhetas pontuando, e temos o melhor disco de 2008. Strangers in the Wind é só um dos motivos para você ouvir esse disco inteiro ainda hoje.

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(clique para ouvir)

Strangers in the Wind
(Cut Copy)

These hands like strangers in the wind
These eyes float in the breeze
These hands like strangers in the wind
This voice calling to me

Run to the lights of the city
These moments pass and we’ll be there
(And she looks good)
Run to the lights of the city
(And she looks good)
This dance will last us forever
Forever

You could stay for what you came here for
A daze is what you’re falling for

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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4 respostas para With hearts on fire I reach out to you tonight

  1. Gláuber disse:

    Olá Marcus! Esses dias meio que sem querer achei o Foals, já ouviu falar? Não pude deixar de lembrar deles ao ouvir o som do Cut Copy. O álbum de estréia dos caras foi lançado em março desse ano e se chama Antidotes. Não exatamente new wave como o Cut Copy, o som do Foals puxa para um dance punk bacana de escutar. Aqui vai o vídeo da música Balloons: http://br.youtube.com/watch?v=PGrZkUQ6_r8. E aqui o link para mais informações sobre a banda na Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Foals. Grande abraço do leitor de longa data que só agora faz seu primeiro post! Gláuber.

  2. André Pessoa disse:

    Muito bom.

  3. Marcus Pessoa disse:

    Já ouvi Foals, Gláuber, mas sem muita atenção. Vou ouvir melhor agora, pela sua indicação. Muito obrigado pelo comentário.

  4. felipe disse:

    fantástico,discasso, estou fazendo como dissestes, escutando da primeira a ultima musica e me remechendo inteiro na cadeira , uma simples ida na geladeira para pegar um copo de agua rende umas belas sacudidas !

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