The House of Love

Este post foi escrito há muito tempo, e é só o primeiro entre vários que republicarei periodicamente a partir de hoje.

Isso é bom por três motivos: atende à minha preguiça monumental de escrever; resgata coisas boas que eu fiz no passado e que os leitores atuais não conhecem; e me permite colocar aqui no WordPress os comentários que os leitores fizeram no antigo endereço, e que eu não consegui resgatar (mas que continuarão lá enquanto o Blogspot e o HaloScan os hospedarem).

* * * * * * * *

The House of LoveEsta é um banda inglesa bem pouco conhecida do público. Quando seu primeiro disco (“The House of Love”, simplesmente) foi lançado aqui em vinil, nos anos 80, lembro de ter lido uma resenha na extinta revista Bizz dizendo que o lançamento em si era um milagre, pois a banda era anônima até em seu país natal.

O Brasil vivia a febre do rock, pós-Plano Cruzado, e uma pequena gravadora, Stiletto, lançava as jóias do pós-punk e da new wave aqui, em edições encontráveis em qualquer magazine. Foi o tempo, para muita gente, de ouvir pela primeira vez Joy Divison, Nick Cave, Durutti Columm, The Fall e mesmo os discos menos conhecidos do New Order e Smiths.

Todo mundo comprou os seus bolachões, e um dos que mais causou impacto dessa leva foi o do House of Love (1988, Creation). Ninguém sabia nada sobre eles, mas não importava: o disco é uma coleção perfeita de canções de amor, intensas e ao mesmo tempo melancólicas; alterna rocks e baladas com equilíbrio, e tem melodias apaixonantes.

O som é influenciado pela psicodelia sessentista, com “muros de guitarras”, feedbacks, corinhos, etc, mas com uma energia e um peso vindos do pós-punk. O vocal de Guy Chadwick (também o principal compositor) impressiona, e todas as músicas são assobiáveis e tocáveis ao violão.

É difícil separar faixas, mas Chistine, que abre o disco e foi o único single, é um bom cartão de visitas para a banda: rock viajante com um belo arranjo em camadas, e que evolui para um êxtase de guitarras distorcidas. Man to Child e Love in a Car também estão entre as minhas preeridas. Escute abaixo.

1. Christine
2. Man to Child
3. Love in a Car

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Se tivesse surgido hoje, a banda talvez fosse aclamada como a salvação do rock. Na ressaca pós-fim dos Smiths, passou despercebida, com pouco ou nenhum sucesso comercial, e uma sucessão infindável de singles fracassados e sessões de gravação abortadas, até terminar de forma melancólica em 1993. Chadwick ainda tentou vários projetos, solo ou acompanhado, também sem sucesso.

Mesmo assim, o House of Love deixou várias pérolas em discos posteriores. Além desse debut, quase não houve mais edições nacionais: Call Me (do derradeiro “Audience with the Mind”) integrou a trilha sonora de Faraway, So Close! (Tão Longe, Tão Perto, filme de Wim Wenders), e I Don’t Know Why I Love You (do disco de 1990) fez parte de uma coletânea brazuca chamada “College Rock”.

“The House of Love”, o disco, está fora de catálogo, mas foi incluído integralmente na compilação 86-89: The Creation Recordings, juntamente com todos os singles lançados no início da carreira da banda.

Há um ótimo site não-oficial, The House of Love & Guy Chadwick, que compila a discografia completa. Segundo o site, a banda retornou para alguns shows no ano passado e está gravado um disco novo. É esperar para ver o que os quixotes apaixonados vão aprontar dessa vez.

Publicado originalmente em 19 de junho de 2004. Republicados dois comentários feitos via HaloScan.

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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7 respostas para The House of Love

  1. Leandro disse:

    Caramba, eu também adoro este disco. No entanto descobri em quase meados dos 90, quando muitos discos dos anos 80, no interior de São Paulo, eram vendidos às pencas e a preço de banana.

    Outra banda bacaninha, que também aportou aqui via Stiletto, foi o The Sundays.

  2. Acylon Junior disse:

    MARAVILHOSO!!!!

    Post perfeito sobre um album perfeito… ainda tenho esse vinil, amo esse disco… infelizmente tiveram o mesmo fim que o Stone Roses, lançaram um primeiro disco perfeito e depois não conseguiram se livrar da pressão de ter que superar a perfeição.

  3. Telma disse:

    Caramba Marquinhos, eu tinha esse disco e gostava muito dessa banda. Saudades….

  4. Yuri disse:

    Belo post Marcus, adorei o disco.

  5. Társis disse:

    Belo texto. House of Love está entre minhas favoritas de ontem e sempre!

    Abs!

  6. Alex disse:

    fala marcus,eu toquei esse lp do ” the house of love “(ainda tenho) no parque dos igarapés em 90/91 assim como o stone roses,happy mondays,charlatans,soup dragons,pixies,james,música brasileira,afro music,reggae,pós punk..uma grande experiência e também uma resistência…//a stilleto e a eldorado assim como a baratos afins e a wob bop nos deram a oportunidade de ouvirmos grandes bandas..um abraço

  7. christian-poa-rs disse:

    Cara,muito legal o seu resumo dessa banda, que pra mim soa muito parecida com jesus and mary chain.adoro anos 80, e para mim as melhores bandas foram smiths,echo,james,stone roses,cure,joy division,cult…e nos 90 suede e blur.

    Abraço

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