O catolicismo é maior que a Igreja

Caravaggio, Madonna dei Palafrenieri

Eu nem ia comentar o caso do Arcebispo de Recife. Afinal, é um factóide. A intervenção bizarra do arcebispo não teve importância nenhuma. Nem convenceu o Ministério Público a impedir o aborto, nem a excomunhão tem algum efeito real na vida das pessoas.

Todo o “fato” se passou unicamente nas páginas dos jornais. Mas, OK, eu entendo a indignação das pessoas. Também achei de última. Entendo a crítica à nomenklatura caquética de uma Igreja que não sabe mais dialogar com a vida real.

Sinto que este texto vai ficar imenso, mas eu não podia ignorar o que alguns colegas blogueiros estão falando sobre o catolicismo, a partir de episódios mediáticos como esse. Parecem dizer que o catolicismo se resume a gente idiota tentando impedir jovens de usar camisinha e mulheres estupradas de abortar.

Isso é uma pauta requentada de uma imprensa preguiçosa. O catolicismo não é isso. Antes desse imbecil, por exemplo, a Arquidiocese de Recife era ocupada por D. Hélder Câmara, uma dos grandes homens do século XX. Quando o ministro Gilmar Mente fez seu ataque raivoso e ideológico ao MST, a única voz que se levantou para contestá-lo foi a Comissão Pastoral da Terra.

A Camila fez um artigo sobre os católicos não-praticantes (que D. Cláudio Hummes definiu, de forma muito feliz, como católicos “a seu modo”), no qual demonstra uma estranheza tão forte em relação a eles que parece uma antropóloga visitando uma tribo de botocudos. Como se fossem de outro planeta.

Moro na cidade da maior festa católica do mundo, e aqui a gente fica conhecendo na real o que é um povo que apenas tem fé, e são os nossos amigos, parentes, colegas, pessoas normais como nós. Não são ETs. Não são fanáticos.

Os católicos são 73% da população brasileira, e mesmo assim me sinto olhado com lentes exóticas quando falo em caixas de comentários alheias sobre minha fé. A Mary certa vez insinuou que eu sou um fanático, porque defendi as qualidades literárias da Bíblia e disse que acredito numa utopia onde as religiões possam conviver em paz.

A Aline concorda com a Camila e acha que, quando os católicos “a seu modo” não concordam e ignoram as regras idiotas da Igreja, estão sendo apenas comodistas, e coniventes com as atrocidades cometidas por ela.

Quer dizer, o que começou com uma crítica à Igreja chega próximo a um assédio moral aos católicos, mesmo que eles não concordem com ela e não tenham nenhuma responsabilidade pelos atos cometidos.

Não é muito diferente da época da Guerra Fria, quando, após cada atrocidade cometida por Stálin, a direita encostava a esquerda democrática ocidental na parede, acusando-os por atos que eles também condenavam. Não é muito diferente de hoje, quando, como bem disse o David, cada judeu no mundo inteiro tem que gritar bem alto que odeia os crimes de Israel, para ser admitido como pessoa de bem.

A Aline disse que a minha fé é fruto dos “atos que estruturaram a Igreja”. Bem, a Igreja foi estruturada 400 anos depois dos eventos contados nos Evangelhos, quando a chama original da rebeldia e contestação originais dos cristãos já estava extinta. Então eu, que já exaltei o espírito cristão original neste post, e baseio minha fé em evangelhos que foram escritos 300 anos antes do Concílio de Nicéia, afirmo que ela não tem nada a ver com os crimes da Igreja.

Insisto no argumento de que o catolicismo é algo muito mais abrangente, rico e multifacetado que a Igreja Católica em si. Não conheço ninguém que tenha estudado a religiosidade popular que discorde disso. Meus amigos de Belém também sabem o que é, porque vivenciam todos os anos, em outubro.

Mas aí os colegas blogueiros ficam argumentando com base no catecismo. Ninguém sequer leu o catecismo, muito menos se importa com ele. Nenhum católico “a seu modo” se considera membro de um clube — na expressão algo infeliz que a Camila usou. As paróquias têm as portas permanentemente abertas pra quem quiser entrar. Ninguém precisa mostrar carteirinha ou atestado de virtude ou ortodoxia. Cada um pode exercer a sua fé como bem entender.

E as pessoas exercem de vários modos mesmo, e vários são os motivos que as levam à Igreja. Há aqueles que gostam da idéia de santos, sentem-se confortáveis com pessoas do povo alçadas a embaixadores dos homens perante Deus. Há aqueles que apenas gostam do clima das missas. Há os que simpatizam com a mensagem do padre.

Os ritos católicos são agradáveis. As pessoas se sentem acolhidas. Quem nunca foi numa missa não tem idéia. Já fui em muitas, de várias paróquias diferentes. Nunca vi um padre falando raivosamente, vituperando culpas alheias, mandando que não se use camisinhas, criticando os homossexuais. Sei que há alguns que fazem isso, mas são minoria.

O salmo mais cantado é o 23, porque fala exclusivamente de amor e acolhimento. O Velho Testamento tem muitas passagens agressivas, mas estas não são valorizadas nos cultos.

Querer que esse bando de gente diferente, que frequenta a Igreja porque é um lugar “legal”, responda por todo um corpus doutrinário conservador (com o qual não concordam), ou por uma história de atrocidades (para a qual não concorreram), é irrazoável.

Existem duas forças políticas que querem que os católicos usem cabresto: a própria Igreja, e, ironicamente, os seus maiores críticos. Estes, que confundem catolicismo com a Igreja, querem que os católicos baixem a crista mesmo, que aceitem a ortodoxia, ou então saiam.

A Mary deplorou a existência do grupo Católicas pelo Direito de Decidir. Seria, é claro, muito mais fácil atacar um catolicismo em que ninguém é a favor do aborto. O fato de a maioria das mulheres católicas apoiar esse direito (e apóiam) é um nuance incontornável e que demanda uma análise muito menos apaixonada do que a gente lê por aí.

No mundo real, as pessoas seguem a sua vidinha, sem se importar com os factóides. E eu paro por aqui, senão nenhum leitor vai chegar ao final. Que venham as pedradas.

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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16 respostas para O catolicismo é maior que a Igreja

  1. Anderson disse:

    Só tenho uma coisa a fazer: te aplaudir de pé.

    Me lembre de te pagar um tacacá quando eu voltar a Belém.

  2. mod disse:

    Sem pedradas.
    Concordo contigo. A vivência do católico é a da comunhão, da tolerância, do acolhimento, da compassividade. Passa ao largo do cânone SE necessário. Não é contradição, é um descompasso. A inércia da instituição é muito grande.

  3. aline disse:

    Marcus, essa conversa vai ser complicada. Eu não tenho nenhuma intenção de te desconverter. Estou francamente convencida de que o debate de idéias, nesse caso, vai ser muito infrutífero. Não estou disposta a troca de pedradas, que é, por sinal, uma metáfora religiosa.

    Tentando ser direta e sucinta naquilo que salta mais aos olhos, acho um disparate suas tentativas de redução do caso. Não, não é factóide, sim, tem muita importância. Pode não ter nenhuma relevância na sua vida, e talvez a vida dos médicos ou mesmo da menina não tenha mudado efetivamente com a declaração do bispo ou a excomunhão. Entretanto, o bispo não poderia nem queria lidar com a vida concreta ou cotidiana. Seu universo é o simbólico, o metafísico, o moral. Vc sabe o que é ser excomungado. Não significa não poder comer ou sair de uma cela. É uma advertência espiritual. Se vc não acredita no peso desse ato, então é um não-praticante fervoroso. De todo modo, a excomunhão e as declarações contam muito sim. Porque, como eu disse, são palavras oficiais da maior instituição religiosa do país. E não é uma caso isolado, pelo contrário. Ela confirma e perpetua a mentalidade da igreja católica e, portanto, da maioria dos católicos. É uma questão de representatividade.
    Tem mais. Não me interessa o que o catolicismo significa pros católicos – praticantes ou não. Se vc discorda do que a igreja católica faz e ainda assim se intitula católico, é um problema pessoal seu. Religião é escolha. Crença é escolha. E, sim, vc pertence a uma comunidade. Que tem líderes e regras fixas. As excessões e os grupos mais liberais não determinam o que a Igreja Católica Apostólica Romana é. A mim, interessa o diálogo que essa igreja tenta estabelecer com a comunidade civil nas questões laicas. Saúde pública é um assunto laico. Entao a igreja não tem nada que dar pitaco num caso de aborto, sobretudo num contexto como o nosso, porque ele se tornará emblemático. Deixará claro que, em nenhuma hipótese e apesar da legislação dizer o contrário, a igreja não aceita e não aceitará o aborto. É disso que se trata. Não sei se por ingenuidade ou má fé, vc quer dizer que o catolicismo é maior e mais bonito do que essas passagens, que seriam expressão de uma parte antiquada da igreja. Acontece que essa parte antiquada ainda rege o poder político da igreja, campo em que ela pode influenciar vidas e fazer sofrer. A parte bonita, Marcus, é pessoal e exclusiva pros fiéis. A parte feia quem tem que aguentar é o mundo inteiro, coletivamente.
    No mais, cuidado com a distorção das palavras alheias. Embora eu ache as regras da igreja católica de fato idiotas, nunca escrevi isso na blogosfera.

  4. Thiago B disse:

    Olá Marcus, gostaria de saber como fica então a linha que separa um simples cristão de um católico, já que os dogmas da Igreja são simplesmente ignorados. Note que eu não estou sendo a favor de nenhum dogma da Igreja mas pelo que sei, um católico deve seguí-las (corrija-me se estiver errado).

  5. Paulo Vitor Carvalho disse:

    O cristianismo original pode ser maior que a igreja católica, mas o catolicismo em si é a ICAR.
    Se você vai à igreja e crê em santos, você é católico, não é isso?
    E se a intenção é ser maior, melhor ou diferente da ICAR, porque vocês não fazem como os protestantes que se dividem quando há divergências? Os padres “progressistas” e os católicos “não-praticantes” continuam debaixo da saia do Ratzinger, mesmo que não admitam.
    O Roberto Freire (o psicólogo, não o político) contou uma história interessante a respeito disso. Durante o regime militar, ele fez parte de um grupo de esquerda, ligada a padres católicos. Um deles (se não me engano, o que coordenava o grupo) foi embora do Brasil, na primeira chamada do Vaticano, afinal “atendia o chamado de deus”. O grupo ficou sem liderança e, pouco tempo depois, Roberto Freire e outros foram presos e torturados. E ele ficou com ódio visceral desse padre, exatamente por ter lhe abandonado.
    Ou seja, o “chamado” une a todos: conservadores e progressistas.

  6. Fábio Vanzo disse:

    Sua argumentação é muito boa e consistente, mas, mesmo assim, não me convence. Não concordo com essa religiosidade “self-service” em que as pessoas escolhem as regras que irão seguir. Ser católico é seguir todas as regras da Igreja ou se enganar, pois irá para o mesmo Inferno dos infiéis.

    Vê se atualiza esta espelunca com mais freqüência.

    Abrazzos.

  7. Ollie disse:

    “Entao a igreja não tem nada que dar pitaco num caso de aborto, sobretudo num contexto como o nosso, porque ele se tornará emblemático.” (Aline)
    ————–
    Aline, posso discordar?
    É o seguinte (vou tentar ser o mais clara possível, ok?): Se a Igreja acredita que a vida humana começa na fecundação( isto é, se ela acredita que a alma passa a existir no momento em que o espermatozóide e o óvulo se unem) então ela está sendo muito coerente ao defender sua posição pró-life.
    Inclusive quando tenta usar dos recursos jurídicos e espirituais para defender seu ponto de vista. O Arcebispo não fez nada de ilegal ao tentar esses recursos. Naquele momento, a possibilidade jurídica de contestar o aborto existia e vivemos numa democracia onde as leis permitem que qualquer pessoa ou instituição possa contestar uma ação impertrada pelo estado ou por outra pessoa. Porém, sempre dentro da lei. E, além do mais, o Arcebispo “perdeu” sua causa. E tudo dentro da lei. Nesse caso a igreja respeitou a democracia. E as leis do Brasil. Apesar de discordar delas. Do quê reclamam tanto?

    Quanto a igreja punir (espiritualmente, já que esse é o único direito que uma religião possui num estado laico) o fiel que não obedece às suas orientações no que diz respeito a moral e a doutrina, ela está sendo coerente com o que prega e acredita. E esse é um direito inerente a ela, enquanto instituição religiosa.
    E se a Igreja tem esse Direito e pode usá-lo, ela o faz, porque – como você mesmo disse – isso é emblemático. Se ela se calasse diante de casos como o dessa menina, ela seria omissa quanto ao que prega aos outros fiéis. E isso seria hipocrisia.

    Daí o pessoal se pergunta “mas é correto permitir que uma menina de 9 anos leve uma gravidez até o fim, correndo o risco de morrer só porque sua religião não permite o aborto?” Bom, para entender isso temos que analisar o problema sob o ponto de vista de um crente.
    Para um católico (ou qualquer cristão) que acredita na eternidade da alma e também nos designios da providência Divina, não cabe ao ser humano decidir sobre quem deve viver ou morrer. Esse direito só cabe a Deus.

    Você, eu, o Marcus, a Mídia, o S. Manuel dono da padaria podemos até discordar disso (muitos discordam ) porém não podemos tirar deles o direito de acreditar e defender publicamente o ponto de vista deles só porque o resto do mundo acha eles escrotos.
    E depois, a igreja não revê (ou raramente o faz) suas posições quando contestada em questão de doutrina e moral. Por que? Porque ela (enquanto instituição) acredita ser a depositária da palavra de Deus passada através da Bíblia e da Tradição oral. E acredita ser a sua missão pregar essa palavra ao Mundo.

    Por isso ela não muda sobre certos assuntos, por isso não se distribui preservativos nos seus templos durante o Carnaval, apesar da aids e outras DSTs estarem por aí, devastando o mundo. A igreja sabe que os fiéis (leigos ou não) podem até desobedecê-la, torcerem a interpretação de um
    conceito de moral até deformá-lo, porém ela não vai revê-los apenas para que os fiéis possam se adequar mais facilmente ao que o Mundo oferece. Crêr também é abrir mão de certas coisas, e os católicos sabem disso. Outras religiões agem do mesmo jeito (e são julgadas com muito mais brandura). Outra coisa que as pessoas se confundem quando começam a criticar a Igreja nesses casos é que ela não abraça modismos e ideologias. A única ideologia que ela abraça é aquela que ela acredita ser a verdadeira interpretaçáo dos ensinamentos de Cristo: os Evangelhos.

    O exemplo mais significativo da posição da igreja perante o Mundo aconteceu no século XVI, quando o papa excomungou o rei Henrique VIII e provocou o cisma que criou a Igreja Anglicana. Por que ela fez isso? Porque qualquer um que tenha lido os Evangelhos conhece bem a posição de Jesus a respeito do casamento e do divórcio. Tão claro que chega a constranger a nossa mentalidade libertária do século XXI.

    Um dia a ciência vai avançar tanto que começarão a clonar seres humanos como quem faz cópia pirata de CD. A Igreja vai ser contra. Certeza. Porém, se começarem a clonar apenas órgãos para transplante, imagino que ela não vai se opor, como não se opõe hoje ao transplante de órgãos de mortos para vivos.
    No fundo ela sabe analisar. E julgar.
    E muito embora esse julgamento possa não agradar a todos, ele sempre vai ser coerente com aquilo que foi pregado nos Evangelhos. Vai ser assim até que um dia o catolicismo (ou a Igreja) deixe de existir.

    Entretantoa Igreja não é uma instituição rígida e intolerante como muitos pensam. Até mesmo um casamento religioso pode ser anulado. E uma excomunhão revertida.
    Já a morte não podem ser revertida, nem pela ciência e nem pela Igreja, por isso questões como aborto, eutanásia e pena de morte são tão polêmicas.

  8. anunciação disse:

    Eu é que espero não levar pedradas por ser católica;não entendo esse tom raivoso desse pessoal e de já digo logo que não concordo com o estupro da(s)menina(s);fico espantada pq se critica um bispo por uma coisa que não se acredita e não se procura aprofundar as causas dos abusos que acontecem aos milhares todos os dias nos lares;ele nem tem esse poder;há sete casos,no código de direito canônico em que a pessoa é excomungada automaticamente e uma delas é o aborto;não há necessidade de um bispo,padre,cardeal,papa,seja quem for excomungá-lo;e excomunhão não significa mandar ninguém para o inferno;o sujeito ou a sujeita fica excluido(a)da comunhão(em sentido lato).Enfim acho que essa coisa raivosa contra a Igreja e o bispo não ajuda em nada nem a essa menina nem a todas as outras e outros também que sofrem abusos de tios,padrastos,pais,primos,etc.

  9. anna v. disse:

    Eu ia comentar, mas não vou não. Gostei do seu texto, mas fiquei com muitas dúvidas sobre algumas de suas afirmações, que não convém tentar esclarecer por escrito, porque só resultam em mais dúvidas, cada vez piores. Assuntos de igreja, se não forem históricos, só discuto em mesa de bar.
    Fica o convite. :-)

  10. Marcus Pessoa disse:

    Agradeço a todos pelos comentários.

    Aline, eu fiz um apanhado das opiniões que li, assim como você fez um apanhado das opiniões contrárias em seu post-resposta. Você não disse que a Igreja é idiota, eu não defendi a Igreja. Algumas coisas se perdem na tentativa de comentar em um único texto vários outros textos diferentes.

    Thiago, na minha opinião um católico independente se vincula à tradição religiosa da Igreja, mas não se curva ou se sente representado pela instituição.

    Paulo Vitor, eu sou só uma pessoa que quer exercer sua fé em paz. Não vou liderar cismas.

    Anna V., assim que for ao Rio vou sentar nessa mesa. Nem precisa ser esse assunto; tem vários outros interessantes.

  11. Catatau disse:

    Belo post! Você ataca em uma cajadada tanto um certo ortodoxismo cego dos católicos, quanto um certo criticismo cégo de seus detratores. E ataca muito bem.

    Ainda tem uma questão muito importante, que ninguém considera: a do aborto. É claro que todos falam de aborto a toda hora, mas veja só, a discussão apenas se detém nos pólos “decisão pessoal” versus “catecismo da Igreja”. A questão interessante não seria precisamente fiéis e cientistas começarem a tentar compreender o que estão dizendo? Trata-se de delimitar em que momento um organismo biológico se torna um ser humano. Essa é a boa questão, e ela decidiria pelo aborto. Mas todo mundo antevê os resultados – é demais delicada para se enfrentar abertamente! E o povo não gosta de nuances, geralmente.

  12. Marcus Pessoa disse:

    Eu acho difícil que haja qualquer acordo entre religião e ciência a respeito do aborto, Catatau. Mas acho possível um consenso entre os cientistas e instituições civis a respeito de uma delimitação (que necessariamente será um pouco arbitrária) sobre o início da vida.

    A ideia de delimitá-la com o surgimento dos tecidos cerebrais, a partir de 12 semanas de gravidez, é bem razoável.

  13. Andre Kenji disse:

    Sou pro-life em termos de aborto, mas de fato até que acharia aceitável o aborto no primeiro trimestre.

  14. João Neto disse:

    Pô , muito massa esse texto, gostei mesmo. Apesar de não ser católico, minha mãe e minha família materna o são, e como conheço de perto católicos como meus familiares e anti-católicos que enxergam como aliens os católicos, gostei muito e entendi suas idéias.

    Só tenho uma obeservação. Já vi padre falar que gays vão para o inferno e que usar camisinha é ofender à Deus. O da camisinha eu já escutei em várias igrejas de Uberaba, o dos gays escutei uma vez só da boca de apenas um padre.

    Abraços.

  15. Alan disse:

    Uau, tocaste em uma casa de caba. Parabéns pela coragem, está na hora mesmo de trazer o catolicismo para a realidade, sem atacá-lo ensandecidamente nem colocá-lo em um pedestal.

  16. ROGGE disse:

    Pena que eu tenha lido este post somente hoje, 02.agosto.2009, o que não me estimula muito a comentá-lo. A começar do título. Ele joga com o catolicismo cultural. Este, realmente, extrapola a Igreja. Mas não é exatamente a Igreja. A Igreja, a Igreja de Jesus, está fundada em Pedro: “Tu és Pedro (em aramaico, Cefas = pedra), e sobre esta pedra edificarei a MINHA igreja”, disse o nosso Mestre. Pedro era o líder da igreja romana, e sua palavra tinha peso em toda a cristandade. Ele teve seus sucessores em Roma. O atual chama-se Bento XVI. Segundo a Igreja de Cristo, toda vida é sagrada. Todo ser humano é sagrado, independentemente de sua fase evolutiva, se feto, bebê, criança, adolescente, adulto ou velho. É sempre o mesmo homem. Têm a mesma dignidade e direito à vida. Essa discussão de quando começa a vida é ridícula. A vida começou desde o primeiro momento em que apareceu na Terra. E vem-se transmitindo sob diversas formas. Antes do feto, o espermatozóide está vivo, o óvulo está vivo. Quando humanos, trazem em si toda a potencialidade maravilhosa do Homem. Diminuir a dignidade de um feto é atentar para o que de mais maravilhoso existe no universo. A morte natural faz parte dos planos de Deus, mas só Ele tem o direito de tirar a vida. Se a Igreja chegou a esse nível de compreensão devemos saudar esse fato. O que não se pode é usar da sexualidade irresponsavelmente, pois ela provoca consequências. A camisinha relaxa essa responsabilidade e provoca a gestação de seres humanos não prevista. Querer matar para reparar uma irresponsabilidade e ainda achar que isso é caso de saúde pública joga a humanidade para níveis primitivos de descaso do valor da vida. Brevemente, em nome da tal saúde pública ou econômica, iremos sacrificar os idosos, os doentes, os aleijados, numa sanha fascista, cuja origem se situa, hoje, na desvalorização do ser humano, da vida humana em qualquer de suas formas. Vamos administrar melhor nossos tesões?

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