É preciso estar atento e forte

Talking Heads

Ontem fizemos uma “festa na laje” no solar dos Ponte Souza, a.k.a. terraço/atelier do Paulo Tarcísio, grande amigo. Tudo em louvor à Nossa Senhora de Nazaré, e com bastante conteúdo profano, hehehe, como é aliás o próprio Círio.

O aparelho de som de lá de cima tá caindo aos pedaços, mas um amigo trouxe um iPod e só rolou música boa. Papo vai, papo bem, cerveja, vinho chileno, piscininha de plástico pra relaxar, tudo nessa característica de gente “pobre mas tô na moda” que nos é peculiar.
A seleção musical estava ótima, mas um momento em particular foi meio epifânico. Começou a tocar “Psicho Killer”, dos Talking Heads, e as pessoas começaram a parar as conversas pra poder escutar ou cantarolar a música.

Veja bem, quando nós éramos mais jovens a nossa vida era apenas isso: festa, bebida, farra desenfreada, música e dança. O Bar do Parque ainda não estava completamente entregue a pinguços, putas e turistas otários. Eu saía de casa sozinho na sexta à noite, chegava ao Bar do Parque e podia escolher em qual mesa sentar. Sempre tinha umas quatro ou cinco mesas com gente bacana, inteligente e amiga.

Nessa época de vinil e falta de grana, toda vez que alguém comprava um disco novo da Stiletto era motivo de festa. Os bolachões eram “propriedade coletiva”, e o que mais acontecia era a gente ir na casa de um amigo se achando no direito de exigir que disco tocar. “Toca aquele”.

O Brasil descobria o pós-punk, e os Talking Heads lançavam aquele fantástico Stop Making Sense, o filme-show pelo qual os demais deveriam ser julgados a partir dali. E todo mundo vivenciou essa fase com muita intensidade.

Por isso, então, é que eu vi mágica naquele momento em que todos desviaram sua atenção pra uma música que faz parte não só da história de cada um, mas também da história coletiva da gente, uma turma que começou jovem, depois casou, arrumou emprego, teve filhos, e continua tão jovem quanto há quinze ou dezoito anos atrás.

Aquele momento foi uma pequena homenagem silenciosa a toda essa história.

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Sobre Marcus Pessoa

Alguém em busca de mais vida offline.
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9 respostas para É preciso estar atento e forte

  1. Claudia disse:

    É, verdade, marquinho, saudade de todos e daquele tempo muito 10, só aplacada porque ficou muito daquilo tudo em cada um de nós. Manda um beijo pro Paulinho.

  2. Rogério disse:

    que encontro ótimo. o tempo passa e não passa.

  3. Andréa disse:

    Queria estar lá. Saudades!

  4. sub rosa disse:

    mais um texto muito bom, que desvela e ressalta a sua natureza de cronista, no sentido mais forte do termo.
    bj

  5. Dayse Freitas disse:

    Ah, eu não vivi essa fase áureado Bar do Parque…mas adorei o texto nostálgico que nos faz querer ter vivido tudo isso com vcs! Parabéns pelo blog. Vou passar mais vezes aqui ;-)

  6. Karina Jucá disse:

    Eu não peguei o bar do parque, mas pegamos todos a Insanus 90. \o/\o/

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